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terça-feira, 1 de junho de 2010

Como minimizar a resistência às mudanças. PARTE 1

É necessário reconhecer-se, de início, que a resistência a uma mudança não é o problema fundamental a ser resolvido. Pelo contrário, ela é geralmente um sintoma de problemas mais básicos, subjacentes na particular situação. Focalizar as atenções apenas sobre o sintoma trará, quando muito, resultados limitados na solução do problema. Da mesma forma, um comprimido poderá aliviar temporariamente a dor de um dente infeccionado, mas essa dor voltará cada vez com maior intensidade até que o dente seja tratado por um dentista. Assim, para encontrar uma solução realmente eficiente, devemos olhar além do sintoma, que é a resistência para suas causas básicas.

Quais seriam, em relação às mudanças, esses sintomas?


COMPULSÃO

Compulsão é um meio pelo qual um indivíduo pode tentar influenciar ou controlar o comportamento de uma outra pessoa.

Na maior parte das organizações que operam dentro de um esquema cultural "ocidental", a compulsão através do uso de autoridade como método de instituir e implantar mudanças, inevitavelmente aumentará a frustração dos que nela estiverem envolvidos. Isso ocorrerá por força das limitações adicionais que lhe são impostas. Sua frustração também aumentará como consequência das maiores limitações da sua liberdade de agir.

Finalmente, suas frustrações aumentarão em função do aumento de sua dependência. O resultado inevitável dessa frustração intensificada será a ocorrência de sentimentos mais intensos de agressividade e hostilidade. Em muitas instâncias o resultado final será de maior resistência à mudança. Portanto, a compulsão e o uso da
autoridade, no trato de uma mudança, servirá para aumentar a oposição a ela.

PERSUASÃO

A essência da persuasão é convencer um indivíduo de que terá muito a ganhar, conduzindo-se do modo que se deseja que ele o faça.

Tanto a extensão como a natureza de qualquer persuasão usada em uma situação de mudança são variáveis de primeira importância na determinação do sucesso dessa mudança. A efetividade da persuasão como meio de influenciar a conduta de outros depende da medida em que as recompensas oferecidas sejam tanto relativas às razoes da oposição como possa contrabalançar e superar as mesmas.

SEGURANÇA

A medida em que as garantias de uma pessoa são ameaçadas ou fortalecidas em uma situação de mudança é uma outra variável de grande influência sobre a oposição, sendo também suscetível de ser controlada pela gerência.

Frequentemente, uma mudança representa uma certa ameaça à segurança daqueles que ela irá afetar. Daí resultam temores de superfluidade, tanto para o empregado em questão como para outros do seu grupo de trabalho. Esses temores devem ser eliminados, para que se possa minimizar a oposição da mudança.

COMPREENSÃO

Existe uma relação direta entre a medida em que os envolvidos em uma situação de mudança entendam essa mudança, e todas as suas implicações e a resistência que lhes opõem. Quando tantos quantos for possível, dentre os envolvidos, compreenderem tanto quanto for possível a respeito da mudança (e, em particular, da maneira pela qual ela os afetará), sua oposição provavelmente diminuirá.

Quando, por outro lado, poucas informações forem tornadas disponíveis, criar-se-á um vácuo pela falta de fatos. Esse vácuo se encherá de conjecturas e suposições e, nessas circunstâncias, a oposição a uma mudança provavelmente será grande.

TEMPO

A extensão de tempo entre o anúncio de uma mudança iminente e o início da sua execução tende a variar inversamente à extensão da resistência, desde que as informações a respeito dessas mudanças possam ser compartilhadas e discutidas livremente. Isto é, quanto mais extenso for o período de tempo, menor será a resistência oposta. Por outro lado, o período de tempo que se necessita para realizar a mudança tende a variar em proporção direta à resistência: quanto mais longo o período, maior será a resistência.

ENVOLVIMENTO

É claro que quanto maior o envolvimento pessoal, na tomada de decisões a respeito de uma mudança, tanto menor será a oposição a essa mudança.

CRÍTICAS

Quando uma pessoa sente-se criticada, torna-se ofendida e coloca-se na defensiva. Seu ressentimento e sua irritação são naturalmente dirigidos à fonte das críticas, quer seja a própria crítica ou seu criador. Essa irritação e ressentimento podem facilmente traduzir-se em uma resistência contra a mudança.

Portanto, quanto maior for a sensação de estar sendo criticado, tanto maior será a resistência oferecida.

FLEXIBILIDADE

É evidente que a execução inexorável e rígida de uma mudança, que não permite modificações nos métodos da sua realização, inevitavelmente provocará resistência. Por outro lado, a razão dessa resistência desaparecerá quando os atingidos pela mudança acreditarem haver latitude suficiente, nos métodos usados, para suas sugestões e contribuições, assim como para quaisquer fatores imprevistos a serem incorporados.

COMO MINIMIZAR A RESISTÊNCIA ÀS MUDANÇAS

Não é verdade, conforme afirmam muitos psicólogos industriais, que a natureza humana oponha resistência às
mudanças. Pelo contrário, não existe qualquer outro ser, no céu ou na terra, tão faminto de coisas novas. Mas existem condições para que o homem esteja psicologicamente preparado para as mudanças. Estas devem lhe parecer racionais, visto que o homem apresenta a si próprio, como sendo racionais, até suas mais irracionais e errôneas mudanças. Ela deve parecer a ele um aperfeiçoamento e não pode ser tão rápida ou tão grande que chegue a eliminar os marcos psicológicos que o deixem à vontade: a compreensão de seu trabalho, suas relações com seus companheiros de serviço, seus conceitos de especialização, prestígio e posição sociais em certos empregos e assim por diante.

Peter Drucker

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